Novo do novo ou novo do velho
Comparação entre os textos de Barraclough e Mayer .
É ponto comum entre todos os estudiosos que as transformações ocorridas no cenário internacional, tanto no âmbito econômico quanto político, ao longo do séc. XIX culminaram nas duas grandes guerras e que a partir daí o mundo entrou em uma nova fase marcada pela difusão em escala mundial do capitalismo e um sistema político bi-polar comandado pelas potências continentais da Rússia e dos Estados Unidos. No entanto, existe uma discordância no que se refere a representatividade destes acontecimentos. Barraclough e Mayer são juntos um claro exemplo de como um mesmo fato pode receber diferentes interpretações.
Para Barraclough, o antigo regime já havia sido extinto na segunda revolução industrial e as razões para as mudanças ocorridas depois das duas grandes guerras estavam contidas dentro dos próprios meios do capital. Para ele a incapacidade dos países europeus que saíram na frente na revolução industrial(ING e FRA) em aceitar mudanças dentro do seu próprio continente, acomodando as novas potências industrias que chegaram atrasadas por causa da sua difícil unificação(ALE e ITA) foi umas das principais razões para que países fora da Europa que também passavam por uma forte industrialização(EUA, RUS, JPN) tomassem a dianteira. Algumas das vantagens que estes países fora da Europa levavam era a mudança de eixo dos acontecimentos políticos para o pacífico, a valorização de áreas periféricas promovida pelas novas tecnologias e suas dimensões continentais, no caso de Rússia e EUA. Mas ainda faltava uma crise dentro do primeiro continente a se industrializar para que estas novas potências pudessem disparar na liderança, e a gota d’água foi a saída de cena do ministro alemão das relações exteriores Bismarck e a adoção por parte da nova potência de uma política externa agressiva, em contrapartida a realpolitik, que visava o reconhecimento internacional da Alemanha. Isto foi a fagulha que levou a explosão do barril de pólvora que era "equilíbrio" europeu, sendo as disputas coloniais o pavio. Isto acabou acarretando a primeira grande guerra, que por sua vez levou à segunda, causando um desgaste tão grande ao continente europeu que esta não tinha mais condições de se manter como centro das decisões mundiais.
Já para Arno Mayer, as razões que levaram a Europa a perder a sua primazia para as potências extra-européias estavam muito mais ligadas a algo que, segundo ele, foi negligenciado por historiadores até hoje.
Mayer argumenta que a nobreza do antigo regime não desmoronou com a revolução industrial e que para aceitá-la, ganhou diversos privilégios políticos e econômicos. Isto levou a uma situação que ficou caracterizada pela manutenção de antigos valores dentro do continente europeu, que contribuíam para que burgueses que ascendiam economicamente ainda tivessem como objetivo alcançar os valores de um nobre, o que por sua vez enfraquecia a burguesia européia em relação aos burgueses da Rússia ou dos EUA. Esta manutenção dos valores feudais na Europa pré primeira guerra é o principal ponto da argumentação de Mayer, que acaba concluindo que as duas guerras e o surgimento da Guerra Fria nada mais foram do que o embate final entre o antigo regime e o novo mundo do capital e da "política mundial".
É claro que como em qualquer outro acontecimento histórico, existe uma sopa de razões e motivos coexistentes, e que muitas vezes se torna difícil identificar qual é o ingrediente principal desta sopa. Estes dois autores divergem em relação à causa fundamental das mudanças ocorridas ao longo do séc. XIX e após as duas Guerras Mundiais. No entanto, é claro que as duas teorias se aplicam e que nenhuma das duas inviabiliza a outra e no final acabamos em um dilema sobre qual das duas aceitar. Dilema esse que pode ser facilmente dissolvido ao se aceitar as duas e concluir que todos os fatores foram igualmente importantes para que os fatos se consumassem e a história tomasse o rumo por nós hoje estudado.
É ponto comum entre todos os estudiosos que as transformações ocorridas no cenário internacional, tanto no âmbito econômico quanto político, ao longo do séc. XIX culminaram nas duas grandes guerras e que a partir daí o mundo entrou em uma nova fase marcada pela difusão em escala mundial do capitalismo e um sistema político bi-polar comandado pelas potências continentais da Rússia e dos Estados Unidos. No entanto, existe uma discordância no que se refere a representatividade destes acontecimentos. Barraclough e Mayer são juntos um claro exemplo de como um mesmo fato pode receber diferentes interpretações.
Para Barraclough, o antigo regime já havia sido extinto na segunda revolução industrial e as razões para as mudanças ocorridas depois das duas grandes guerras estavam contidas dentro dos próprios meios do capital. Para ele a incapacidade dos países europeus que saíram na frente na revolução industrial(ING e FRA) em aceitar mudanças dentro do seu próprio continente, acomodando as novas potências industrias que chegaram atrasadas por causa da sua difícil unificação(ALE e ITA) foi umas das principais razões para que países fora da Europa que também passavam por uma forte industrialização(EUA, RUS, JPN) tomassem a dianteira. Algumas das vantagens que estes países fora da Europa levavam era a mudança de eixo dos acontecimentos políticos para o pacífico, a valorização de áreas periféricas promovida pelas novas tecnologias e suas dimensões continentais, no caso de Rússia e EUA. Mas ainda faltava uma crise dentro do primeiro continente a se industrializar para que estas novas potências pudessem disparar na liderança, e a gota d’água foi a saída de cena do ministro alemão das relações exteriores Bismarck e a adoção por parte da nova potência de uma política externa agressiva, em contrapartida a realpolitik, que visava o reconhecimento internacional da Alemanha. Isto foi a fagulha que levou a explosão do barril de pólvora que era "equilíbrio" europeu, sendo as disputas coloniais o pavio. Isto acabou acarretando a primeira grande guerra, que por sua vez levou à segunda, causando um desgaste tão grande ao continente europeu que esta não tinha mais condições de se manter como centro das decisões mundiais.
Já para Arno Mayer, as razões que levaram a Europa a perder a sua primazia para as potências extra-européias estavam muito mais ligadas a algo que, segundo ele, foi negligenciado por historiadores até hoje.
Mayer argumenta que a nobreza do antigo regime não desmoronou com a revolução industrial e que para aceitá-la, ganhou diversos privilégios políticos e econômicos. Isto levou a uma situação que ficou caracterizada pela manutenção de antigos valores dentro do continente europeu, que contribuíam para que burgueses que ascendiam economicamente ainda tivessem como objetivo alcançar os valores de um nobre, o que por sua vez enfraquecia a burguesia européia em relação aos burgueses da Rússia ou dos EUA. Esta manutenção dos valores feudais na Europa pré primeira guerra é o principal ponto da argumentação de Mayer, que acaba concluindo que as duas guerras e o surgimento da Guerra Fria nada mais foram do que o embate final entre o antigo regime e o novo mundo do capital e da "política mundial".
É claro que como em qualquer outro acontecimento histórico, existe uma sopa de razões e motivos coexistentes, e que muitas vezes se torna difícil identificar qual é o ingrediente principal desta sopa. Estes dois autores divergem em relação à causa fundamental das mudanças ocorridas ao longo do séc. XIX e após as duas Guerras Mundiais. No entanto, é claro que as duas teorias se aplicam e que nenhuma das duas inviabiliza a outra e no final acabamos em um dilema sobre qual das duas aceitar. Dilema esse que pode ser facilmente dissolvido ao se aceitar as duas e concluir que todos os fatores foram igualmente importantes para que os fatos se consumassem e a história tomasse o rumo por nós hoje estudado.

1 Comments:
Caro André,
Ler seu trabalho (e ainda mais sua prova) me mostra que você foi uma grande aquisição para as RI. Trabalho bem escrito, inteligente e organizado. Mas nada de ficar em cima do muro. Não é possível combinar as duas teorias, uma vez que são amplamente contraditórias.. Ou havia ainda antigo regime ou o regime era burguês.. Nesse casos não da para ser mezzo-mezzo.
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