Terça-feira, Maio 24, 2005

Efeito Colateral

A Independência da América Espanhola esteve fortemente ligada ao contexto europeu e suas relações políticas. Já com a Revolução Francesa haviam surgido ideais liberais, que serviram de base ideológica para muitas colônias da América Espanhola que visavam sua independência. Porém, só essa vontade por parte das colônias não foi um fator suficiente isoladamente para a independência. As ações provenientes das relações entre os países europeus foram, na maioria das vezes, de forma não intencional, efetivamente fundamentais para a ocorrência de inúmeras conquistas para a América Latina.

Durante o período do Bloqueio Continental, a França exigiu o alinhamento de Portugal. Percebendo que poderia perder suas relações comerciais com esse, a Inglaterra garantiu que ao menos a colônia portuguesa estaria sob sua proteção, pois em termos de controle marítimo, nenhuma Marinha era tão forte como a Armada Real. O Brasil estaria, assim, fora do alcance de Napoleão. Dessa forma, a família real veio para o Brasil, o que foi fundamental para o futuro da colônia brasileira, quando posteriormente o príncipe regente declarou a independência.

Também durante as Guerras Napoleônicas, o monarca espanhol foi deposto, sendo estabelecido no trono o irmão de Napoleão. Ocorreu uma resistência por parte de patriotas espanhóis, que consideravam ilegítimo o monarca imposto. Isso possibilitou uma aliança entre esses patriotas (representando a Espanha) e a Inglaterra, que ganha nesse momento um aliado contra Napoleão. Apesar de prezar o liberalismo e a liberdade de comércio, a Inglaterra viu que não seria sensato adotar essa política, uma vez que essa nova aliada contra a França possuía inúmeras colônias na América Espanhola, e conseqüentemente, não tinha interesse em nenhum tipo de liberalismo, pelo contrário. Em nome de um interesse maior, que era a necessidade do momento de acabar com Napoleão, a Inglaterra abre mão de uma política liberal e tenta adotar uma política neutra, de forma a não prejudicar os interesses espanhóis e nem se posicionar contra as colônias que queriam se tornar independentes, pois ao seu ver, se conquistadas efetivamente as independências, essas colônias poderiam se tornar grandes mercados consumidores. Nesse momento, a Inglaterra assume um papel de mediadora entre as partes.

Durante o Congresso de Viena, após as Guerras Napoleônicas e com a ameaça de Napoleão extinta, ocorreu um distanciamento da Inglaterra em relação aos problemas entre os países europeus de equilíbrio e legitimidade, passando a voltar-se principalmente para seus assuntos particulares. Assim, afastando-se de certa forma da Espanha teve liberdade de adotar sua política mais clássica, a do liberalismo, o que favoreceu as colônias que desejavam a independência. Após algum tempo, surgia, além disso, os EUA, defendendo também o liberalismo com intenções pan-americanas. De acordo com todo esse contexto, as independências da América Espanhola foram facilitadas, afinal as colônias tiveram tempo suficiente para se organizar melhor em meio ao contexto perturbado da Europa no período Napoleônico e foram posteriormente reconhecidas como legítimas.

1 Comments:

Blogger Danilo Marcondes said...

Prezada Verônica

O trabalho está bom, mas acho que você dedicou pouca atenção ao papel dos EUA e da Doutrina Monroe.

7:18 PM  

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